Sexo é a própria vida. Por um “acaso” nascemos dele, não
é mesmo?
Toda a natureza é sexual. Observem as polaridades, o sol
e a lua, o claro e o escuro, o dia e a noite, o elétron
e o próton, e tudo ..absolutamente tudo é sexual.
A
Lâmpada de sua casa acende de forma sexual também. É
apenas energia. Tudo é natural quando observamos as
coisas fora de nós e em especial, as coisas não humanas.
Porém quando pensamos em termos humanos, sentimos um nó
no raciocínio e passamos de um momento a outro a ver
isso tudo de uma forma não natural. Porque?
Durante séculos a sociedade, forçada por forças
religiosas antagonizou a existência humana, divinizando
o invisível e demonizando o material.
Assim herdamos de séculos que nos precederam um padrão
dissociativo de espiritualidade e sexo.
O tantra nos ensina a aceitação de quem somos como um
todo; da sutileza do espírito à densidade da matéria. O
tantra nos diz que agraves da sensibilização deste nosso
corpo, que é nosso templo, pode a divisão entre corpo,
mente e espírito (divisão esta que nos foi infundido por
séculos de pressão religiosa) ser dissolvida e
experimentarmos uma unidade primordial, curando a
fragmentação de nosso ser.
Assim, deste modo, no conceito tântrico, energia é
energia. Podemos atribuir qualidades à esta energia.
Medo, amor, compaixão, tristeza, alegria, tesão, culpa
são aspectos ou qualidades desta energia. Cada um de nós
atribui uma qualidade à esta energia de acordo com as
nossas crenças ou de acordo com os bloqueios existentes
em nossos chakras ou centro de força em nosso corpo.
A grande maioria da humanidade esta com problemas de
chakra básico - muladhara (subsistência e medo) e faz as
energias ficarem aprisionadas neste centro, ou mesmo no
chakra umbilical (prazer e culpa). As sensações e os
sentimentos associam-se com os Chakras desta maneira.
O caminho tântrico esta na aceitação destes
processos, destas energias, enfim de quem somos. Estes
pequenos egos dissolvem-se quando a luz da consciência
incide sobre eles. É o significado profundo da flor de
lótus que emerge do pântano quando o sol tangencia o
lodaçal.
Assim, o tantra ensina-nos e visitar todos os cômodos
de nosso templo humano, de ir a cada dia um pouco mais
longe, ampliando os limites de nossa existência.
Estes limites não são externos. Não se trata de pular
de precipícios, de asa delta ou escalar montanhas
vertiginosas, pois isso tudo não é nada além do que um
paliativo para um vazio existencial colocando em risco o
templo que temos para cuidar que é nosso corpo. A
aventura verdadeira é mais profunda e mais perigosa.
Buda dizia: É mais fácil um homem vencer a um
exército de 1000 homens do que vender a si mesmo.
O caminho é para dentro, reconhecendo os
desfiladeiros internos, os precipícios existenciais, os
pântanos de nossa consciência. E o risco, não é o de
irresponsavelmente perder o templo que tão custosamente
a natureza operou para nos dar e sim ganhar a
iluminação, a transcendência, que é o que todos de um
modo ou outro buscamos.
O tantra proporciona uma profunda busca interior.
E o que é o sexo em tudo isso.
Sexo é polaridade, percepção, energia primordial
geradora de tudo o que existe.
Se você vive o sexo profundamente, você perceberá que
encontrou a deus.
O que é deus? É um homem? Uma mulher?
Deus não é homem, nem é mulher, é um estado de ser. É
a androgenia divida. Deus se revela quando homem e
mulher se encontram. Este encontrar não é um encontro de
corpos dormentes, e sim de seres conscientes, despertos.
O que seria das religiões se as pessoas entendessem
isso tudo? Os templos fechariam, os dízimos acabariam, a
manipulação e o poder não mais poderiam controlar as
massas. Logo trataram de associar o sexo com uma imagem
rabuda e com chifres, pois sabiam que através desta
energia ou este conhecimento o homem podia ser livre, e
um homem livre não é interessante para a sociedade,
alias, é muito perigoso.
E o resultado é que somos oriundos de séculos de
crenças fundamentadas em fragmentação existencial, com a
idéia de que temos um corpo separado do divino.
O entendimento destes princípios levam-nos a uma
suprema compreensão da vida, da existência e de nós
mesmos.
Pense nisso, sinta, aceite, e se transforme.