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O Texto lido a seguir foi integralmente retirado de “Energia Sexual & Yoga” de Elisabeth Haish – Ed. Record (pág. 65 a 72) – esgotado

A ESCADA DE JACÓ
Os que partem na senda do Yoga com a intenção de renunciar à energia sexual e subitamente querem levar uma vida abstêmia, evidenciam que não apenas ignoram a origem divina desta energia, mas a própria energia em si! Como pode um homem adquirir controle sobre algo, renunciar a este algo, sem sacrifício ou contradição, se com ele não se familiarizou inteiramente e não chegou a um acordo?

Enquanto um indivíduo suspeita dos prazeres potenciais ainda não experimentados dentro da sexualidade, não pode nem deve renunciar à vida sexual. Viveria, então, na crença de ter omitido ou perdido algo; e, não obstante possa ser errôneo, este equívoco cada vez mais o atrairá para experiências sexuais. Somente quem se familiarizou integralmente com a sexualidade e provou-a totalmente em suas potencialidades, quer nesta existência quer em outra anterior, pode alcançar Deus. De outro lado, se ele ignora a sexualidade, Deus, também, está muito além de seu alcance. A energia sexual é a vida-mestra da vida, portanto, também uma manifestação de Deus, se bem que na forma de matéria e no nível mais baixo! Se nossa meta é alcançar Deus, devemos iniciar a ascensão da escada de Jacó pelo degrau mais baixo (Gen 28:12). Nenhum degrau pode ser omitido, e como poderia alguém renunciar a algo e prosseguir para subir o próximo degrau antes de se familiarizar com aquele que o antecede?

Se eu quiser extirpar minha energia sexual sem tê-la conhecido previamente, ela se voltará contra mim com toda minha própria potência, porque eu sou esta minha própria energia, mesmo se apenas inconscientemente! Por esta exata razão, sua força é igual a minha própria! Em hipótese alguma posso destruí-la, porque isto seria destruir a mim mesmo. Não podemos destruir a energia sexual, apenas podemos transformá-la. Podemos apenas, ser ela!

Devo atravessar experiências, devo tornar-me tão integralmente: familiarizado com a energia sexual, com todos os seus vexames, dificuldades e armadilhas que nenhum aspecto desta forma de energia criadora me fique oculto. Suponhamos que alguém já tenha adquirido esta experiência e nasceu com ela nesta vida. Não carecerá readquiri-la. Porém, deverá sentir esta certeza em si mesmo. Podemos observar que mesmo aqueles situados nos mais elevados níveis da evolução espiritual iniciam sua vida humana como objeto sexual, em nível mais baixo, na puberdade. Porém, levarão apenas pequeno lapso de tempo para ir da adolescência à maturidade, enquanto o homem primitivo requer talvez milhões de anos para igual desenvolvimento. Os organismos unicelulares requerem milhões de anos para ascender, através dos estágios de répteis, aves e mamíferos, até o homem, como o sabemos; enquanto o embrião humano atravessa todas estas fases evolutivas, da concepção ao nascimento, no resumido período de nove meses. Assim, o homem que atingiu um nível mais alto, pode efetuar todos os estágios evolutivos de manifestação sexual durante a breve fase da juventude, desde a necessidade mais primitiva do adolescente, para descarregar sua sexualidade reprimida até o mais alto sentido espiritual, sentido de pertencer, fundado no amor, que é próprio do adulto superior. Naturalmente, há inúmeras exceções pertinentes às incalculáveis variações de desenvolvimento e de diferenças de níveis atingidos.

Se, portanto, alguém passou por suas experiências de energia sexual, na vida passada ou na presente, libertar-se-á de sua dependência, exercerá controle sobre ela e a usará como poder criador. Se de outro lado, um homem, que ignora a energia sexual e é inapto para transmutá-la, preserva-a mediante uma vida abstêmia, esta energia primária será recalcada para o inconsciente e suprimida, tanto que se manifesta de forma pervertida. Com incrível astúcia, freqüentemente causa às pessoas as mais sérias desordens, doenças e perturbações físicas e mentais. Não é comum descobrir-se que tais sofrimentos sejam causados pela energia sexual reprimida e restringida.   É particularmente perigoso quando um casal ou, às vezes, um dos cônjuges apenas decide subitamente tornar-se abstêmio. Em verdade, é duvidoso que isto seja mesmo desejável. É conveniente perguntar-se primeiro a si mesmo, com muita honestidade, por que subitamente tal solicitação para a abstinência. Amiúde percebe-se que a verdadeira razão não é tanto um forte anseio de Deus, como mais propriamente o desejo insatisfeito de amor e compreensão, uma incapacidade geral para viver e, originando-se disto, também desejos sexuais frustrados ou desapontamentos desagradáveis. Muitas pessoas não são suficientemente honestas consigo mesmas, não têm o menor desejo de acolher a verdadeira razão, reprimem-na no inconsciente e dizem que, para chegar a Deus, querem renunciar a tudo. Como tais pessoas concebem "Deus", a ponto de renunciarem a tudo por ele? Significa então que a sexualidade é tudo para elas? Assim o parece, porque, comumente, isto é tudo que importa. Se elas realmente querem renunciar a tudo, que abandonem tudo, que sejam coerentes e vão para uma caverna. Porém, outra vez, eles não o desejam; só na imaginação. Ou talvez, em uma caverna com aquecimento central e quarto de banho?

Portanto, estejamos alertas. Enquanto alguém vir continência como "renúncia total", como "sacrifício total", tem a verdadeira razão por que não deve renunciar a "tudo", por que não deve desejar desistir de tudo, mas deve primeiramente saber o que é "tudo". Com seu cônjuge, deveria tentar experimentar uma devoção sublime baseada em amor e levar uma vida sexual sadia, satisfeita e higiênica. Em assim procedendo, não deve de modo algum sugestionar-se de que uma vida sexual sadia é algo degradante ou corrupto. Se o faz, sua atitude obviamente é patológica. Nem de outra parte, uma vida continente deve ser motivada por vingança inconsciente sobre seu cônjuge ou sobre si mesmo. Vingança devida a desapontamento, frustração ou falha.

Se alguém tem uma atitude sadia para com a vida sexual em si mesma, esta nunca é degradante ou corrupta. A Bíblia não nos diz para traçarmos limites, nem que nos sintamos pecadores, quando os transgredimos. Não é a sexualidade que degrada e corrompe o homem, mas este é quem se faz um animal e, em vez de levar uma vida sexual hígida, baseada no amor verdadeiro e na união, deliberadamente distorce-a para um fim brutal, depravado e em si mesmo perverso. Ele corrompe e degrada tanto a si mesmo como a sexualidade.

Quem quer que parta pela senda do Yoga e que queira progredir pelo caminho interno, não distorcerá a sexualidade para um fim brutal em si. No casamento, na união física, não buscará a gratificação de desejos bestiais, mas, de preferência, a manifestação da união espiritual mais elevada. Dar-se fisicamente não o degrada nem corrompe, porque seu ato é motivado por um desejo espiritual profundo, por unificação, por amor. Por que então dele esperar que inicie o Yoga com a continência imediata? Se ele ainda não tem habilidade para transformar a energia sexual, um sistema de vida de abstinência forçada, pode-lhe redundar em nervosismo extremo, desarmonia, beligerância; em verdade, mesmo em casamento rompido, porque a energia sexual ainda não está apta para encontrar o caminho para os centros nervosos mais elevados. Pessoas casadas devem ter em mente que não foi o acaso que as conduziu ao casamento. Foram conduzidas a esta união pelo karma e, portanto, é este verdadeiro matrimônio que acelera seu progresso. Seu karma indicará quando estarão suficientemente maduros e que chegou a hora para levarem uma vida abstêmia e para prosseguirem, de mãos dadas, em amor supremo e mútua compreensão. Assim, o casamento não será um fardo insuportável, porém, significará assistência mútua e felicidade. Todavia, o matrimônio se tornaria um fardo pesado, uma escravidão e um obstáculo para o progresso, quando o tempo kármico tiver expirado e o débito kármico estiver pago, então ele cairá do homem, como um traje usado. Fugir de uma situação opressiva, nunca é uma solução. Os problemas têm de ser resolvidos ou, senão, eles se mantêm ao nosso lado! Uma vez que tenhamos obtido uma liberação interna de tais uniões dolorosas, há também uma transformação no mundo externo e inesperadamente a porta da liberdade se abre. Um casamento por si só não é um óbice na senda do Yoga. Muitos dos grandes santos, no ocidente bem como na índia, que foram casados, atingiram a meta mais elevada. Um dos maiores mestres indianos, Ramakrishna, viveu com sua esposa, Sarada Devi, até morrer, e ambos foram grandes Yoguis. Igualmente, no ocidente, podem-se arrolar inúmeros homens e mulheres que, embora casados, alcançaram os mais elevados graus de santidade, a oniconsciência divina, como, por exemplo, Sta. Mônica, a mãe de Sto. Agostinho, e muitos outros santos, bem como iniciados Rosa-cruzes.

O homem abandona o desejo físico quando alcança a maturidade. Logrou conhecer a fascinação da sexualidade e, agora, vê através dela. Esta força em sua forma inferior, como energia sexual, continua a interessar-lhe, apenas como um elo, como um catalisador entre o espírito e o corpo, como um impulso auxiliar para o progresso. Ele cessa de afirmar que teria de renunciar a "tudo", a fim de alcançar a Deus. Não se faz mister que o homem renuncie ou antecipe coisa alguma. Tão logo esteja apto a transmutar a energia sexual em sua forma mais elevada, ele a preserva, e o faz em uma forma mais elevada e muito mais valiosa. Ele nada perde, mas ganha tudo. Porque a felicidade que o homem experimenta, ou mais propriamente, espera experimentar, em sexualidade, fica com ele uma vez e sempre em um nível muito mais elevado. Desde que não esbanje sua energia, mas preserve-a, ela continua a coabitar com ele. Não a perdemos, não mais a desejamos desfrutar como um muito transitório prazer sexual efêmero, fugazmente vivido, porém, agora, exclusivamente na forma mais elevada de uma beatitude mental e espiritual, que é nossa para sempre e não pode ser perdida porque: EU SOU ELE. Tat twam asi! Tu és ISTO! nas palavras da filosofia Vendanta.

Cessamos de experenciar o poder criador no corpo como energia sexual, como desejo e impulso sexual, que tão logo seja atendido se desvanece. Agora, nós o experenciamos diretamente como o próprio poder criador, como alegria criadora em um nível de consciência sempre mais elevado, como um estado de ser crescente, resistente, sempre e eterno.   Não posso mais desejar possuir felicidade; já não sou apenas feliz. Eu sou a própria felicidade! Como pode a felicidade cessar de sentir-se feliz, se ela é a própria felicidade? É, fundamentalmente, uma questão de consciência: se eu ainda não desenvolvi consciência no Logos, na própria vida, eu experimento o ser como energia sexual,como pressão sexual que age em meu corpo e é o doador da vida para uma terceira pessoa. Se estou em um nível mais elevado de consciência, experencio o Logos, a vida, dentro de mim, como amor, manifestado em minha alma
como a mais elevada emoção. Se desenvolvi consciência no Logos, na própria vida, eu o sinto no espírito, em Self, como um estado de autoconsciência, como eu mesmo: EU SOU ELE!

Se todavia tornei-me o próprio Logos, a vida, recebi simultaneamente, uma sensação de profundo contentamento inefável, que jamais fenece, que jamais pode fenecer! Achamos o que com infinita ânsia procurávamos desde o primeiro despertar, a primeira aurora da consciência. Experimentamos o perfeito preenchimento, libertação e ressurreição! Eu sou a imperturbável autolibertação e o luminoso autodespertar: não conheço medo, pavor ou incerteza!

Consoante o nível de consciência alcançado, a forma extrínseca, o nome, a experiência, o estágio interno mudam. A essência deste poder, no entanto, permanece o que na realidade sempre foi, o poder criador divino, o Logos, que é nossa própria vida, nosso Self individual; é aquilo em meu âmago que, quando eu me tornar consciente, experenciarei comigo mesmo, como EU SOU. Como pode a morte ter poder sobre mim, se Eu sou a própria vida? Como pode a vida morrer?

Quando estivermos aptos a mobilizar de suas condições de letargia e latência os centros nervosos e cerebrais que, como resistência, suportam as mais altas vibrações, porque quanto mais elevados os estágios de consciência, tanto mais elevadas as frequências e vibrações ativas no corpo — então, também seremos capazes para dirigir o poder criador mais acima ou mais abaixo na escada de Jacó, à nossa vontade, e a usá-lo à nossa discrição. Quanto mais elevada a manifestação, tanto mais altas as freqüências e a tensão e tanto maior a beatitude. A alta tensão exalta nossa consciência a estados progressivos, cada vez mais próximos de Deus. Podemos experimentar Deus, como Eu sou o que eu sou; como Moisés, o grande iniciado que falou face a face com Deus, disse: "O nome de Deus é EU SOU O QUE SOU..." Infelizmente o povo fracassa em entender o que ele queria dizer com isto.

Tenhamos em mente que nossos modelos no ocidente, os grandes santos, e no oriente, os grandes mestres, os rishis, jamais seriam tão tolos para se desfazerem, se sacrificarem e renunciarem aos prazeres sexuais, se estes fossem prazeres reais e eternos. Eles atingiram a meta, a consciência divina, e com ela uma felicidade milhares de vezete mais alta, e o preenchimento supremo. A questão é determinar se estamos numa felicidade muito transitória ou eternamente duradoura. Porque os prazeres sexuais estão, inexoravelmente, sujeitos ao tempo e sabemos antecipadamente que mais cedo ou mais tarde, devemos, numa qualquer eventualidade, vir a perder esta felicidade e estes prazeres, quer gostemos ou não. Quanto maior a felicidade, tanto maior a perda, quando a hora tenha soado. Se de outra parte, não gasto esta energia através do corpo, mas torno-me consciente nela, desde que eu mesmo sou ela, se posso atingir o estado pelo qual eu posso ser outra vez a energia sexual, então, não mais perderei esta felicidade, pois, eu sou ela! E o Ser é eterno e não fenece com a decadência do corpo. Ele, simplesmente, se projetou e manifestou no corpo como energia sexual e novamente se recolheu. Porém, se em minha consciência, eu me identifico, não com a projeção, a manifestação, mas com "aquilo" que projeta, com o manifestador, que é meu próprio e verdadeiro Ser, então, conscientemente, carrego a Vida em meu imo. Eu sou Ele! E o Ser é eterno. Assim, as alegrias do Ser também são eternas!

Uma pessoa que não possa experimentar a Vida, o Logos, com sua mente consciente, porque estas frequências máximas seriam muito fortes para seus nervos, isto é, alguém que esteja no período transitório de evolução gradual, deveria, certamente, levar uma vida sexual hí-gida, baseada na unidade espiritual. Pela união sexual, duas pessoas podem proporcionar-se mutuamente muito amor. e felicidade, mesmo que seja uma felicidade transitória.  De modo algum isto os degrada e, em verdade, ajuda-os a construir um relacionamento íntimo e a partilhar de uma experiência verdadeira e sublime. E a Natureza explora seu anelo por amor e preenchimento, enfeitiça-os com sua fascinação e promete-lhes as mais altas felicidades pela sexualidade, a fim de criar outras gerações. Se duas pessoas procuraram a união sexual fora do amor verdadeiro e da mais profunda afinidade espiritual, e a experenciaram na íntegra, o companheirismo e o amor ainda permanecem como consolação, após a realização sexual. Por quanto tempo? Isto é outra questão.

Porque algum dia quando se submeteram aos desejos sexuais, largando-lhes as rédeas totalmente, constataram que, no verdadeiro momento de gratificação física, quando pensavam que "agora" a prometida felicidade está chegando, ela de súbito se lhes escapou e foi embora. E, o que é mais, gastaram sua própria energia para esta autodecepção. No mais das vezes, as pessoas buscam o intercurso sexual não pelo desejo da união íntima, mas pelo prazer e alegria física. Depois, restou-lhes apenas, um vácuo imenso e a sensação de enfado, como se observa em muitos casais jovens e velhos. Porém, a Natureza requer progénie para a propagação da vida, e o homem, em sua solidão e abandono, procura compreensão e amor na sexualidade. Muitas outras vezes, ele cai na armadilha da Natureza, enquanto não compreende que isso não é o que realmente procura e que a sexualidade não lhe pode outorgar o que ele cobiça. Somente então, talvez, de mãos dadas com seu cônjuge, ele se tornará sempre mais atento ao caminho espiritual. Os iluminados se tornaram conscientes disto.

Viram através dos simulacros de prazeres da sexualidade e sabem que o homem pode produzir constantemente a suprema alegria, êxtase e beatitude como um estado permanente de autoconsciência, que ele mesmo pode ser isto, contanto que não esbanje a energia sexual, mas a use para estimular, despertar e ativar os centros nervosos e cerebrais ainda letárgicos, em condição de latência. Isto habilita o homem em seu verdadeiro ser a tornar-se consciente de Deus, para atingir a onisciência divina. Como as gotas de água que estão no mar, que são o mar, assim o homem pode repousar em Deus, ser consciente em Deus, e ser o próprio Deus. Cristo disse: "Não está escrito em sua lei: Eu disse: sois deuses?" (João 10:34 e Salmo 82:6)

 

 

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